Escandiuzzi

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Cannabis ou maconha e a censura na Mariana

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Uma candidata a deputada federal em Santa Catarina pregou em pleno horário eleitoral a liberação da maconha e o casamento homossexual e vem fazendo sucesso na internet. A imagem da “cannabis” vem sendo inclusive impressa em seus materiais de propaganda.

Com apenas 23 anos, Mariana Marques disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PDT catarinense. No programa eleitoral. a jovem fala da liberação da “cannabis e do casamento civil homossexual” e emenda um bordão: “Quem é livre e consciente, 1202 na mente”. No encerramento, a candidata ainda pede ao eleitor: “Põe um legal na Câmara Federal”.

O slogan adotado em sua campanha transformou-se em febre e rapidamente se espalhou em redes sociais. O vídeo de sua fala no programa do partido, com apenas 14 segundos, já contou com mais de 50 mil acessos no You Tube.

A jovem integra movimentos estudantis e foi convidada para ser candidata para ajudar a completar a cota de mulheres do partido. Ela decidiu então, levar a campanha a sério e diz estar satisfeita com a repercussão.

O slogan que vem sendo replicado na rede surgiu como uma forma de driblar a “censura” dentro do próprio partido. Na primeira gravação de seu depoimento, a coordenação política do PDT teria solicitado que ela retirasse a palavra “maconha” do seu programa.

Regravei, substitui maconha por cannabis e usei a frase bota um legal para encerrar”, disse. “Resolvi prosseguir com a candidatura e achei que as pessoas iriam gostar bem menos do que estão gostando. Recebi apoio até de quem não usa maconha ou não é homossexual”.

Estudante de Serviço Social na Universiade Federal de Santa Catarina, Mariana mora desde 2007 em Florianópolis. Ela é uma das coordenadoras da Marcha da Maconha e do Instituto da Cannabis, formado em sua maioria por estudantes. A entidade debate a proibição da maconha e realiza pesquisas em Santa Catarina.

Começamos uma pesquisa com os presos nas cadeias de Florianópolis. Estamos levantando quem foi preso por maconha, qual a faixa extária e situação social”, disse. “As propostas de liberação da cannabis e da união civil entre pessoas foram fruto de discussões junto aos grupos de mulheres e de estudantes do qual participo. São temas que não podemos jogar para debaixo do tapete”.

Written by Fabrício Escandiuzzi

setembro 23, 2010 at 3:54 am

E agora, companheiro???

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O que dizer do que ocorreu hoje no centro de Florianópolis?

Que a Polícia Militar usou de força excessiva e lembrou a época da ditadura?

Que a manifestação estava repleta de vândalos que deixaram um rastro de destruição no centro?

Nenhuma das alternativas é a correta.

A PM, ao contrário do ocorreu nos últimos quando prendeu até jornalistas, dessa vez não disparou tiros e não usou de agressividade. Só vi policiais tentando conter manifestantes mais exaltados, com os rostos encobertos e o escambau. Sem violência alguma.

Os jovens, que de outras vezes como relatei aqui, deram um show de civilidade com manifestações bem humoradas e artísiticas, desta vez perderam o rumo. Extrapolaram.

Alguns dos estudantes nesta sexta agiram como a Polícia Militar na semana passada. Do mesma maneira que nos primeiros manifestos um Guarda Municipal ordenou que eu desligasse a câmera, hoje foi a vez de um pirralho com seus 14 anos ter a mesma atitude. Para os dois, a resposta foi a mesma. Mandei a um lugar que não deve ser lá muito agradável e não convém escrever aqui.

Vão me crucificar, dizer que sou contra movimento social, que estão lutando por mim e etc… Também dizia isso. Já tava na rua quando muitos dos que estavam ali hoje não eram sequer nascidos… Já perdi e ganhei.  Mas não é isso que importa.

Importa é que lamentei muito ver aquela correria e aqueles atos de puro vandalismo praticados por alguns (veja bem, disse ALGUNS) dos manifestantes. Tem muita gente engajada e séria ali dentro. Muita mesmo. O erro é não ter uma liderança de fato, uma liderança natural. Liderança nos atos e não no discurso. Isso, infelizmente, fez muita falta.

O que vai ficar, o que vai ser noticiado pela mídia, serão os vidros quebrados de agências bancárias, a porta de uma loja estilhaçada, lixeiras e sacos espalhados pelo calçadão e muros “pixados”. Péssimo…Aí tem um que vai dizer: “Foi um P2”, foi um “infiltrado” e etc… Mas se a coisa fosse bem conduzida, não chegaria ao ponto de termos um corre-corre pelo centro.

Com 874.962 mil policiais e outras 350 mil viaturas no centro, os estudantes acharam que conseguiriam driblar a PM se dividindo ou saindo correndo pelo centro??? Pelo amor de Deus né, vamos deixar a utopia em casa.

O que era algo divertido, ficou algo perigoso.

 

Três semanas de protesto e a prefeitura sequer moveu uma palha no sentido de mostrar uma mínima chance de reduzir a tarifa. Que é um disparate, uma vergonha, um abuso isso é. Só que o problema é que os atos de alguns depredaram não só o centro. Depredaram o próprio movimento. Depois de hoje, tudo volta não à tarifa zero, mas à estaca zero.

Protesto em rua, pelo menos por enquanto, é uma coisa que perdeu o sentido depois do que ocorreu hoje. É preciso dar um tempo e, convenhamos, tem coisa que dez pessoas podem fazer melhor melhor do que 800. Um protesto inteligente é uma forma de reconquistar a população. Falta o líder dizer o que fazer…

Vamos dar o exemplo da própria PM. Depois da confusão da sexta-feira passada, dia 21, quando um jornalista foi preso, os policiais se recolheram e mal apareceram no protesto seguinte. A função coube à GM na última segunda… quem esteve lá sabe disso.

 

O que é preciso fazer é sentar, esfriar a cabeça, analisar os erros e tentar aprender com eles. O confronto, a depredação, o tumulto não ajudam em nada. Uma derrota numa batalha, como ocorreu hoje, deve ser para mudar o tom, para se auto analisar.

Dar um murro em ponta de faca acontece. Esmurrá-la o tempo todo é idiotice.

Se a PM mudou a postura e deu um banho, será que os estudantes não são capazes de fazer o mesmo?

Written by Fabrício Escandiuzzi

maio 28, 2010 at 1:52 pm

“Catraca”

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Nos últimos dois protestos de estudantes que acompanhei – na quinta e na segunda-feira – esse cão esteve presente em todo o protesto…

Não sei se tem dono, mas o fato é que latiu para policiais militares, guardas municipais e esteve sempre à frente dos estudantes pela marcha nas ruas centrais de Florianópolis.

O “Catraca” como alguns o chamaram, chegou a ficar no meio da roda enquanto os manifestantes cantavam diante do terminal central.

Como sou um declarado e apaixonado amante de animais, deduzo que o “Catraca”, no alto de sua sabedoria e instinto, escolheu o lado correto na manifestação.

Opinião de crianças e de animais são coisas que não devem ser deixadas de lado.

Chamando “Catraca” ou qualquer outro nome, o cãozinho se tornou o mascote das manifestações de 2010.

Written by Fabrício Escandiuzzi

maio 26, 2010 at 10:43 am

Tapa na cara

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A Polícia Militar mal apareceu na manifestação realizada pelos estudantes nesta segunda-feira…

Vergonha do que ocorreu na sexta? Pode ser.

Deixou que a Guarda Municipal acompanhasse os garotos o que, na minha opinião, é ainda mais perigoso diante do despreparo de alguns.

A apresentação teatral diante do TICEN foi sensacional. Até jornalista “apanhou” na encenação. Não tinha um representante de sindicato de jornalistas ali, o que acho condenável.

A defesa e o repúdio ao ato da PM contra jornalistas da RBS coube, quem diria, aos estudantes.

Um tapa na cara. Uma lição.

E o protesto ocorreu na maior tranquilidade mesmo sem policiamento ostensivo, cães, cavalarias, tropa de choque e desfile de viaturas. A Mauro Ramos foi bloqueada por alguns minutos, depois o TICEN. Aí a PM apareceu e os jovens saíram. Sem confronto, sem discussão, sem exaltação…

E a prefeitura mais uma vez, sem nenhuma explicação…

Depois desta segunda-feira, que foi o ato mais tranquilo de todos, chego a uma triste conclusão: o que deixa os protestos tumultuados e tensos não são os manifestantes. É a polícia.

Ganhou o bom humor, ganhou a cidade.

Resta saber até quando os estudantes irão protestar e até quando a prefeitura irá silenciar…

Written by Fabrício Escandiuzzi

maio 25, 2010 at 10:27 am

Paz e Amor

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Da outra vez critiquei o excesso de policiais militares na manifestação de estudantes que brigam contra o reajuste da tarifa.

Desta vez não haviam tantos… e ocorreram prisões.

Todas por “ofensas”, “xingamentos” e “desacato”… Não vi, realmente,  xingamento nenhum na maioria delas.

Vi uma garota que pediu para ser presa. Deu não um, mas uns vinte “Pedala Robinho” no capacete do PM… Depois ainda saiu esperneando, gritando, pedindo por socorro e chegou a dizer que a mãe ficaria braba por ser presa. Fez aquilo por quê então?? Que ser humano iria gostar de ser fotografado e filmado servindo de pandeiro sem esboçar nenhuma reação? Ela pediu. 

Em alguns momentos achei que a coisa fosse ficar feia. Foi por pouco.

Os estudantes que de outras vezes agiram na “paz e amor”, desta vez chegaram ao limite em alguns momentos. Quase fui atingido, com outros dois colegas de imprensa, por uma chuva de “bolinhas de gude”.

E antes que me critiquem: vi quem jogou. Não era “P2″…

Continuo achando a cavalaria um tremendo de um exagero. Uma provocação e intimidação desnecessárias.

Continuo achando o movimento dos estudantes ótimo e legítimo, embora hoje estivesse com menos integrantes e com algumas situações de risco. E também com provocações aqui e ali.

Vai continuar? Vai…mas precisa mudar alguns pontos. A PM se precavem com todo o aparato e provavelmente uma ponte, ou uma avenida Beira-mar nunca mais serão fechadas sem confronto.

E repito: ninguém ganha com isso.

Só acho que ações distintas, simbólicas, bem humoradas, podem chamar mais atenção do que apenas os protestos. Acorrentar-se no SETUF foi um dos atos mais interessantes do movimento até aqui.

Na porta da cada do prefeito pode ser uma boa. Uma greve de fome. A presença numa solenidade pública.

Tudo isso rende mídia e não parte para um confronto com policiais armados. Por mais que a PM estivesse totalmente “Paz e Amor” no protesto desta quinta-feira.

Os estudantes mostraram a cara, mostraram-se para o povo e disseram que não estão satisfeitos. A estratégia agora precisa mudar.

Precisam ganhar o povo. De vez…

 

 

 

Written by Fabrício Escandiuzzi

maio 21, 2010 at 1:10 pm

R$ 2,95 é o …………….

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Me pediram e estou colocando aqui neste espaço mais algumas fotos do protesto da última quinta-feira…

Será que esta semana tem mais? Torcemos para que sim e principalmente para alguém da Prefeitura Municipal enfim se manifeste.

Vou fazer um bolão para ver se acertamos o número de PMs destacados para “fazer a segurança” do protesto…

Quero ver se alguém precisar acionar a Polícia Militar no mesmo momento da manifestação.

Vai ter alguém para atender?

 

 

Written by Fabrício Escandiuzzi

maio 16, 2010 at 12:37 pm

Os estudantes e a PM

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Mais de 3 mil pessoas participaram do protesto realizado por estudantes contra o reajuste da tarifa de ônibus em Floripa.

Acho que foi esse número. A PM disse que tinha 1200 pessoas, a Guarda Municipal falou em 4 mil manifestantes e os organizadores do movimento acreditam que 5 mil seguiram o protesto. Fiz uma média e por isso fica em 3 mil.

 Foi a terceira manifestação organizada por estudantes após o aumento em 7,3% no preço das passagens. Mais uma vez, os meninos gritaram e manifestaram de forma pacífica. Salvo dois ou três entreveros, um deles incluindo um fotógrafo e um integrante da Guarda Municipal completamente despreparado e descontrolado.

Muito bom o ato. As pessoas chegaram a aplaudir os estudantes das janelas dos prédios enquanto eles passavam pela avenida Hercílio Luz.

Nota dez.

O que chamou a atenção foi a Polícia Militar. Tinha uns 856 mil policiais militares acompanhando, uma cavalaria inteira e outras 600 viaturas. Falando sério: ao final da manifestação, eu contei 16 viaturas com as luzes ligadas e o escambau acompanhando os estudantes, alguns com 12 ou 13 anos de idade.

Foda é que quando eu ligo para a Polícia Militar pedindo para que um babaca abaixe o som do carro que só toca Rebolation, me informam que não existem viaturas disponíveis. Arrombaram meu carro há uns dois anos e até agora espero um PM para fazer ocorrência.

Não dá para dizer que falta efetivo ou equipamento em Florianópolis. Pelo menos na manifestação dos garotos e garotas estava todo mundo lá.. até exagerado, acho…

E por que a segurança não funciona quando precisamos dela??

Written by Fabrício Escandiuzzi

maio 14, 2010 at 11:53 am