Escandiuzzi

Procuram-se boas notícias. Mas enquanto elas não surgem….

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A dor do Coração do Rio Grande….

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É desnecesário falar o quanto chocou a morte de mais de 230 jovens na tragédia da boate Kiss, em Santa Maria. As fotos das vítimas, muitas vezes retiradas dos perfis do Facebook, mostram meninos e meninas lindos e alegres. As histórias de quem iria se formar, de quem voltou para ajudar e acabou morrendo, os relatos de dor e pânico me deixaram com uma sensação de tristeza profunda no domingo.

Absurdo ainda maior quando paramos para pensar nos sonhos interrompidos, no desespero, na dor das famílias de cada um. Não sei explicar: não perdi ninguém no incêndio, mas foi como se isso tivesse ocorrido.

Aí vem a informação de que o local estava com o alvará vencido.

Aí vem outra informação que seguranças teriam impedido a saída de jovens no começo do incêndio.

Aí surge toda uma discussão sobre as concessões de alvarás e licenças para eventos e funcionamento de casas noturnas e similares.

Aí as autoridades de todo o país cobram “rigor” na fiscalização de estabelecimentos do gênero em suas cidades.

Aí vejo músicos do Gurizada Fandangueira e sócios da boate Kiss sendo algemados e presos depois do ocorrido.

Todos nós queremos JUSTIÇA. Mas seria essa justiça a ideal?

A quem cabia fiscalizar? Por que a passividade do Poder Público? Prefeituras de todo o país esperam que algo aconteça para agir, “externar preocupação” ou criar as “forças-tarefas (que na minha opinião não servem para muita coisa). Após a tragédia, minha caixa postal sofreu uma verdadeira enxurrada de releases de prefeituras, órgãos públicos e até mesmo políticos cobrando “rigor”.

Não vi um chefe de fiscalização da prefeitura detido por omissão, inércia ou passividade. E muito menos nenhum delegado de jogos e diversões assumindo erros em sua pasta. Vi sim, muita gente culpando o “lucro” dos proprietários das casas noturnas como a grande causa da tragédia.

Interessante também que a mesma Polícia Civil que investiga e prende tem a responsabilidade de emitir licenças através de alvarás expedidos pelos setores de jogos e diversões. A boate Kiss não funcionava clandestinamente, longe disso… Esperamos que 230 jovens morram e milhares de sonhos e vidas sejam marcadas para sempre com feridas que nunca irão cicatrizar para só então agir.

Trazendo a história para Florianópolis, o Corpo de Bombeiros assumiu que 47 das 65 boates ou similares da cidade estariam com irregularidades. E agora? O que fazer?  Não queremos criar pânico, mas já cansei de ver sinalizadores nestes locais.

Vi muita gente condenando nas redes sociais o uso do artefato pela banda Gurizada Fandangueira, mas que acha lindo quando um espumante caro é levado para a área vip das boates bacanas da cidade com um sinalizador aceso ao lado do balde de gelo.

O Mercado Público, que já registrou dois incêndios nos últimos anos, não contém os parâmetros mínimos de segurança em sua rede elétrica, segundo vistoria do próprio Corpo de Bombeiros realizada este ano… E o que acontece? NADA. O local continua funcionando normalmente…

Um laudo não serve para fechar um estabelecimento, mas o que é primeira coisa que falamos quando surge um incêndio?

“Chamem os Bombeiros”….

E a justiça? Juízes, desembargadores e etc… com que moral podem ou não condenar um vocalista da Gurizada Fandangueira, por exemplo? Quantas vezes não vemos a justiça “passar a mão na cabeça” de infratores e permitir o funcionamento de locais (leia-se liminares). Um exemplo recente foi a liberação em cima da hora dos estádios dos times de futebol de Santa Catarina para receber público na primeira rodada do campeonato estadual. Os clubes não haviam apresentado os laudos referentes a questões de segurança e combate contra incêndio. Mas os jogos aconteceram.

Não quero ser um pessimista. Não é de minha natureza. Espero que as autoridades mudem o comportamento, que esses releases enviados não sejam um mero “buscar espaço” na mídia e sim um preocupação real. E mais do que uma preocupação real, que se torne uma forma de agir de governos de municípios, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e órgãos fiscalizadores.

Rezo para que todo esse movimento sirva para que as casas noturnas e eventos sejam de fato fiscalizados e impedidos de funcionar em caso de descumprimento de normas ou falta de documentos.

Rezo para que tudo isso não seja uma “onda” tal como ocorreu após a tragédia de 2008 em Santa Catarina. Muitas das promessas de projetos de prevenção sequer saíram do papel. E muita gente voltou aos locais afetados. Isso vai para outro post…

Rezo por cada uma das almas de Santa Maria.

Enfim, rezo muito para que toda a dor do Coração do Rio Grande não seja em vão….

Rezo….

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Written by Fabrício Escandiuzzi

janeiro 29, 2013 at 11:00 pm