Escandiuzzi

Procuram-se boas notícias. Mas enquanto elas não surgem….

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Tapa na cara

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A Polícia Militar mal apareceu na manifestação realizada pelos estudantes nesta segunda-feira…

Vergonha do que ocorreu na sexta? Pode ser.

Deixou que a Guarda Municipal acompanhasse os garotos o que, na minha opinião, é ainda mais perigoso diante do despreparo de alguns.

A apresentação teatral diante do TICEN foi sensacional. Até jornalista “apanhou” na encenação. Não tinha um representante de sindicato de jornalistas ali, o que acho condenável.

A defesa e o repúdio ao ato da PM contra jornalistas da RBS coube, quem diria, aos estudantes.

Um tapa na cara. Uma lição.

E o protesto ocorreu na maior tranquilidade mesmo sem policiamento ostensivo, cães, cavalarias, tropa de choque e desfile de viaturas. A Mauro Ramos foi bloqueada por alguns minutos, depois o TICEN. Aí a PM apareceu e os jovens saíram. Sem confronto, sem discussão, sem exaltação…

E a prefeitura mais uma vez, sem nenhuma explicação…

Depois desta segunda-feira, que foi o ato mais tranquilo de todos, chego a uma triste conclusão: o que deixa os protestos tumultuados e tensos não são os manifestantes. É a polícia.

Ganhou o bom humor, ganhou a cidade.

Resta saber até quando os estudantes irão protestar e até quando a prefeitura irá silenciar…

Written by Fabrício Escandiuzzi

maio 25, 2010 at 10:27 am

PM Paz e Amor???

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Fui em todas as manifestações… menos na realizada na noite desta sexta-feira… Justo ela.

Neste mesmo espaço já elogiei a Polícia Militar e condenei atos de alguns dos estudantes, já a critiquei pelo uso de pistolas de choque e pelo excesso de viaturas, soldados e até cavalaria na rua. 

Vou falar o quê sobre o episódio desta sexta-feira, quando dois jornalistas que estavam a trabalho foram presos com direito a toda truculência possível? Falar o quê?

Tinha presenciado até então a prisão de uma garota que deu “Pedala Robinho” na cabeça de um policial. Justa. E de outros jovens que teriam xingado os policiais. Não os vi fazer nada.

Mas a imagem do jornalista Felipe Pereira, de camiseta rasgada, sendo levado por PMs é uma das coisas mais absurdas que já vi.  Uma vergonha para toda a corporação.

A ironia da história é que tanto o Felipe quanto o Raphael Faraco e Flávio Neves são alguns dos jornalistas mais educados que conheço aqui em Florianópolis. O Flávio mesmo quase não fala…

A outra ironia é que até então a maioria dos policiais estava tratando de maneira cordial os profissionais de imprensa que trabalhavam cobrindo a manifestação.

Ledo engano…

A PM extrapolou mais uma vez. Nenhum oficial apareceu para se desculpar oficialmente. Nenhum político – diga-se governador Leonel Pavan, que em tese é quem manda na polícia hoje – apresentou qualquer justificativa.

De onde vem essa mania de policiais mandarem que guardemos as máquinas fotográficas ou filmadoras? Não se pode fotografar por quê? Quem disse?

Não aparece um para prender o povo que assalta e usa crack numa estação da CASAN em pleno centro, diante do Terminal Florianópolis, menos de uma quadra de distância de um posto da PM. Para gritar com jornalistas, bater em estudante, usar cachorros, cavalos, choques elétricos e proibir fechamento de ruas, aparecem 800.

Eu havia tanto elogiado quanto criticado o trabalho da PM, como disse antes, neste mesmo espaço. Disse também que os estudantes precisavam de um ato para ganhar de vez a população.

Não precisaram fazer nada. A PM com uma conduta absurda, tratou de fazer isso.

Acredito que as próprias emissoras locais tratarão o protesto de uma forma distinta agora. Eu mesmo chegarei para realizar cobertura com um outro espírito. Não estou seguro com a Polícia Militar que temos nem mesmo para executar o meu trabalho.

Lembro na quinta, do comandante Ranlow dizer a estudantes de jornalismo que era “amigo da imprensa”.  Ele estava nesta manifestação? Imagina se fosse inimigo…

O ato desta sexta só nos faz lamentar a PM que possuimos. Uma vergonha. O curioso é que reflete exatamente a postura de nossos políticos, que enfiam goela abaixo um aumento de tarifa de ônibus, não explicam nada ao povo, mudam trânsito ao bel prazer, elaboram planos diretores nas coxas fodendo com o meio ambiente, começam obras e não terminam, pagam shows de cantor cego e quem não o vê é o povo, compram árvore de LEDs que não acende. Reclamam e se dizem perseguidos quando questionados pelo povo ou pela justiça. Mas nunca aparecem para explicar, pedir desculpas ou debater. São autoridades, não podem ter ser atos criticados.

É o retrato fidedigno da PM, que abusa e não aceita ser questionada.

Em suma: quem questiona, pratica desacato. É isso que entendi?

Apesar de estar com raiva da conduta da Polícia Militar e da ausência de culhão de muitos dos políticos que temos para resolver esse impasse, recorro a uma frase famosa daquele moço barbudo, igualmente famoso. Não o barbudo de Brasília, mas aquele que morreu na cruz: “Perdoai senhor, eles não sabem o que fazem”.

 

Written by Fabrício Escandiuzzi

maio 23, 2010 at 2:01 am

Exército na Armação

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Duzentos soldados do Exército começaram nesta sexta-feira a trabalhar na construção de um muro de sacos de areia para tentar conter o avanço do mar na praia da Armação. O pessoal da prefeitura, incluindo o prefeito Dário Berger, deram as caras para acompanhar o esforço dos soldados. Põe areia em saco, põe saco em caminhão, carrega até perto da praia e monta a barricada, cansei só de olhar.

Há o temor que com a ressaca prevista para o início da semana, a água possa atingir a rodovia SC 406.

Tem casa ali já ameaçando cair, como esta da foto abaixo.

Falei com dois oceanógrafos: Jarbas Bonetti, da UFSC e Argeu Vans, do CIRAM. Para os dois especialistas, o muro é apenas uma medida provisória. Em tese, pode amenizar a situação em dois ou três episódios de ressacas e tempestade. Nada mais do que isso.

A natureza veio cobrar a conta pois as casas construídas sobre as “dunas frontais” prejudicaram todo o ecossistema. “Praia não é só o guarda-sol que usamos para descansar”, disse o professor Bonetti. “Ela é um sistema, formado pelas dunas, pela areia e pela área que está submersa. A água não eoncontra sedimentos necessários e busca nas dunas, justamente onde estão as construções”.

Resumindo, quem está no lugar errado não é o mar. São as casas.

E o que fazer agora?

Moratória e proibir novas construções? Tirar todo mundo?

Ali na Armação, como os próprios oceanógrafos explicam, é um processo sem fim. O mar vai avançar mais e mais e mais…

Resta lamentar e acender o estado de alerta.

Fica o aviso para as outras praias daqui. Onde planejam resorts, portos, marinas, aterros, estaleiros e coisas do gênero.

Santa Catarina tem um dos litorais mais belos do país justamente por suas características “selvagens” e em alguns locais “inexplorados”.

Por que mudar?

A natureza deu ao estado o seu mais belo presente: a beleza. Mas o homem, ou seja nós, não a preservamos.

Idolatramos tanto a beleza, mas teimamos em estragar tudo de belo que está diante dos nossos olhos.

Written by Fabrício Escandiuzzi

maio 22, 2010 at 4:15 am

Paz e Amor

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Da outra vez critiquei o excesso de policiais militares na manifestação de estudantes que brigam contra o reajuste da tarifa.

Desta vez não haviam tantos… e ocorreram prisões.

Todas por “ofensas”, “xingamentos” e “desacato”… Não vi, realmente,  xingamento nenhum na maioria delas.

Vi uma garota que pediu para ser presa. Deu não um, mas uns vinte “Pedala Robinho” no capacete do PM… Depois ainda saiu esperneando, gritando, pedindo por socorro e chegou a dizer que a mãe ficaria braba por ser presa. Fez aquilo por quê então?? Que ser humano iria gostar de ser fotografado e filmado servindo de pandeiro sem esboçar nenhuma reação? Ela pediu. 

Em alguns momentos achei que a coisa fosse ficar feia. Foi por pouco.

Os estudantes que de outras vezes agiram na “paz e amor”, desta vez chegaram ao limite em alguns momentos. Quase fui atingido, com outros dois colegas de imprensa, por uma chuva de “bolinhas de gude”.

E antes que me critiquem: vi quem jogou. Não era “P2″…

Continuo achando a cavalaria um tremendo de um exagero. Uma provocação e intimidação desnecessárias.

Continuo achando o movimento dos estudantes ótimo e legítimo, embora hoje estivesse com menos integrantes e com algumas situações de risco. E também com provocações aqui e ali.

Vai continuar? Vai…mas precisa mudar alguns pontos. A PM se precavem com todo o aparato e provavelmente uma ponte, ou uma avenida Beira-mar nunca mais serão fechadas sem confronto.

E repito: ninguém ganha com isso.

Só acho que ações distintas, simbólicas, bem humoradas, podem chamar mais atenção do que apenas os protestos. Acorrentar-se no SETUF foi um dos atos mais interessantes do movimento até aqui.

Na porta da cada do prefeito pode ser uma boa. Uma greve de fome. A presença numa solenidade pública.

Tudo isso rende mídia e não parte para um confronto com policiais armados. Por mais que a PM estivesse totalmente “Paz e Amor” no protesto desta quinta-feira.

Os estudantes mostraram a cara, mostraram-se para o povo e disseram que não estão satisfeitos. A estratégia agora precisa mudar.

Precisam ganhar o povo. De vez…

 

 

 

Written by Fabrício Escandiuzzi

maio 21, 2010 at 1:10 pm

O show que ninguém viu….

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O prefeito Dário Berger tomou mais uma paulada na cabeça.Um recurso pedindo a revogação do bloqueio de seus bens foi negado pelo Tribunal de Justiça. Para quem não lembra, os bens do peemedebista e outros tantos envolvidos foram bloqueados depois da contratação de show do Andrea Bocelli que ninguém viu. (perdoem o trocadilho infame).

Anunciado em coletiva, em meio a toda pompa que conhecemos, o tenor italiano fez a apresentação mais tranquila de sua vida. Não viajou, não cantou por mais de duas horas, mas recebeu seu din-din..

Fiz a matéria nesta segunda para o portal Terra. Ela segue na íntregra aqui. Quem quiser ver no portal, o link está logo abaixo.

 

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina decidiu manter a indisponibilidade dos bens do prefeito de Florianópolis, Dário Berger (PMDB), após a polêmica contratação de um show do tenor italiano Andrea Bocelli.

O espetáculo, orçado em R$ 3,7 milhões, encerraria a programação de final de ano na capital catarinense, mas acabou não ocorrendo.

O juiz Luiz Antônio Fornerolli, da Unidade da Fazenda Pública, havia determinado em março a indisponibilidade dos bens até o limite de R$ 2,5 mi. Esse valor acabou sendo pago antecipadamente pelo Poder Público, mesmo o espetáculo não tendo sido realizado. Além de Dário, a decisão atingiu o então secretário de Turismo, Mário Cavalazzi, dois assessores e o sócio da empresa responsável pelo show, Ricardo Valente.

 A nova derrota ocorreu num agravo de instrumento apresentado pelo prefeito. Berger alegou que a decisão de manter seus bens bloqueados estaria causando “imensuráveis prejuízos”. “(O prefeito) acrescenta que é pessoa pública e que a manutenção da medida judicial tem lhe provocado imensuráveis prejuízos, não só em razão de sua condição de político como também no aspecto privado”, anotou o desembargador Rodrigo Collaço, relator da matéria. 

A negativa do TJ foi baseada no fato que a indisponibilidade de bens seria uma “medida cautelar” para evitar que acusados acabem “dilapidando” o próprio patrimônio. Collaço também sustentou que o artigo 7º da Lei de Improbidade Administrativa exige indícios de responsabilidade do agente público para determinar o bloqueio de bens o que, segundo ele, teria sido demonstrado na ação impetrada pelo Ministério Público. “Comprovados fatos que, em tese, são tipificados como atos de improbidade e de autoria calçada em fortes indícios, em avançada apuração, pode-se estabelecer um juízo de probabilidade que autoriza certas providências acautelatórias”, anotou em relatório.

A decisão foi publicada na última sexta-feira. Dário Berger ainda pode recorrer. A Ação Civil Pública impetrada pelo MP ainda corre na Justiça.

 http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4436023-EI7896,00-Caso+Andrea+Bocelli+TJSC+mantem+bloqueio+de+bens+de+prefeito.html

Written by Fabrício Escandiuzzi

maio 18, 2010 at 8:44 am

Floripa: Capital da Inovação ou da Esculhambação?

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Quando comecei no jornalismo, a internet ainda era algo que só se podia usar na redação entre as seis e sete horas da noite. Os releases vinham por fax, os fimes das máquinas fotográficas precisavam ser cortados e os celulares eram só para os donos de jornal.

 Fui o primeiro jornalista em Minas Gerais a usar uma câmera fotográfica digital. Era uma celebridade. E olha que a câmera, uma Sony Mavica, ainda grava a imagem em disquetes. Umas oito por disquete. Saía para trabalhar com 50 deles na cintura, parecia um cinto do Batman.

 E olha que isso não faz muito tempo. Apesar de trabalhar há 16 anos no jornalismo, tenho 33 anos.

 Com a evolução aqui e acolá, se eu não mexesse com internet e o escambau ficaria ultrapassado. E não tinha reserva de mercado para mim. Ninguém ia pagar para um jurássico permanecer numa redação.

 Por que escrevo isso numa matéria que traz uma foto dos estudantes e da manifestação contra a tarifa?

 Por que eu, os estudantes e toda a população temos que arcar com a manutenção de emprego de cobradores? Por que temos que bancar o aumento do salário dos outros?

 Se eu não evoluísse e apredensse a trabalhar com net. Iria ter reserva de emprego? O estudante de economia que não se atualiza? Teria vaga? O médico que não usa equipamentos de ponta, teria espaço?

 E o engenheiro de computação que insistisse em jogar Atari e trabalhar com um 386? Progrediria??

 Não quero ser cruel, pregar uma demissão e massa e o o escambau. Mas pergunto: empresas gigantescas recorrem à tecnologia para reduzir custos. O que o sistema de transporte público faz para reduzir seus custos e não precisar aumentar a passagem?

 NADA. ABSOLUTAMENTE NADA.

 Sou contra garantia de emprego e reserva de mercado até mesmo no serviço público.

 A prefeitura de Florianópolis está perdendo uma grande oportunidade de fazer história.

 Era hora de fazer a licitação do transporte público.

 Era hora de abrir a caixa (cada vez mais preta) do transporte.

 Era hora de agir…

 Faz a licitação, chame sindicatos, cobradores e converse. Modernizar o sistema pode não significar desemprego.

 Um programa pode preparar essas pessoas para que elas sejam trasnformadas em motoristas, em fiscais e etc…. Podem receber cursos, aprender um espanhol ou um inglês e atuarem em linhas de turismo criadas junto ao transporte público para atender os “mochileiros” que aqui estão. Sei lá, tem que sentar e conversar

 Que cobrador quer ser cobrador o resto da vida?

 Que cobrador não agarraria uma oportunidade nova, uma chance de crescer?

 As pessoas que ocupam cargo importantes em Floripa precisam deixar de ser megalomaníacas e pensar no básico. No que está diante dos seus olhos. Não sei se o deslumbramento ou a falta de inteligência acabam ofuscando a vista de alguns.

 Algum assessor, no alto de sua sabedoria, deve pensar o seguinte: “O povo é burro e não vai gerar problemas. Está mais preocupado em chegar à entrevista de emprego, à consulta do médico ou ao centro para comprar uns badulaques no Camelódromo, Vai reclamar e falar amém”.

 Será?

 Os meninos com suas latas, panelas e sanfonas na tarde desta sexta-feira mostraram que não.. Não mesmo..

 Salvem todos os que estiveram lá… Conseguiram cantando, sorrindo e gritando, que idosos e pessoas que passavam pela rua se aliassem ao protesto. Isso eu vi.

 Para encerrar, o fato é que o povão está pagando uma conta que não é dele. Não só o povo, mas o pequeno empresário, com poucos funcionários, o estudante e etc e tal….

 Aí vem a prefeitura e estampa em seu site que Floripa é a capital da inovação….

 Capital da inovação ou da esculhambação??????

Written by Fabrício Escandiuzzi

maio 8, 2010 at 10:29 am

Mais uma vez….

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Mais uma vez os estudantes foram às ruas protestar contra o aumento das tarifas de ônibus.

Mais uma vez, o povão vai pagar o aumento de salário de motoristas e arcar com a manutenção dos empregos dos cobradores para que o dinheiro não saia do bolso das empresas de transporte.

Mais uma vez, a PM exagerou na dose e deu até choque em guri recém saído das fraldas.

Mais uma vez, a prefeitura pouco se lixou para o povão.

 Mais uma vez, mais uma vez…

 

A manifestação era pacífica, com música bom humor e etc e tal. O problema é que ao contrário de outros protestos, a desta sexta-feira não tinha lideranças comandando a situação. Lideranças de fato, digo. Por isso, a situação quase desgringolou quando estiveram frente a frente um protesto ladeira abaixo sem motorista e meia dúzia de policiais com armas de choque na mão.

Usando um jargão futebolístico, os estudantes estão cheios de disposição, mas nenhuma organização tática. Por isso, correram um risco imenso de que a situação fugisse do controle.

E A PM? Bem, a PM poderia deixar as pistolas de choque no quartel e conversar com alguma liderança dos estudantes…

Mas primeiro é preciso aparecer a tal liderança.

Por sua vez, os manifestantes prometem continuar com o barulho nos próximos dias. Que o façam como fizeram hoje: cantando e com irreverência, sem fechar pontes, sem violência e principalmente, sem sofrerem nenhuma “avaria” física.

Written by Fabrício Escandiuzzi

maio 8, 2010 at 5:56 am