Escandiuzzi

Procuram-se boas notícias. Mas enquanto elas não surgem….

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Natureza está gemendo

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“A natureza está gemendo. Ela tá pedindo socorro e se vingando das pessoas que construíram nas dunas”.

Sete e meia da manhã desta quinta. O pedreiro José Rufino, morador do Campeche há 13 anos, me disse exatamente isso. Estávamos olhando os estragos causados pela ressaca e a maré em várias casas. Ali foi ainda mas rápido do que o que aconteceu na praia da Armação. “Tinha terreno na frente dessas casas na segunda-feira”, disse.

O mar continua se vingando do homem em Florianópolis, na opinião do humilde José Rufino.

Quem chegar ali na praia e olhar bem, vai ver como parece frágil a areia sobre a qual as casas foram erguidas.

Eu não moraria sossegado. Por mais belo que seja visual.

São dunas, que estão se movendo e espantando todos os “carrapatos”  que viviam sobre elas.

Não acho que a natureza esteja se vingando, como disse o Rufino.

Acho que ela está fazendo Justiça.

Estabelecendo a ordem natural das coisas.

Written by Fabrício Escandiuzzi

junho 24, 2010 at 10:45 pm

Ressaca: quem perdeu, perdeu???

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As construções irregulares e a situação “pós-ressaca”  começam a preocupar as “otoridades” em Florianópolis.

Até que enfim.

Existe a possibilidade de que a prefeitura municipal não autorize a reconstrução de algumas das casas destruídas.  Segundo Gerson Basso, diretor da Floram (que é o órgão responsável por licenças ambientais), a situação é bastante complicada principalmente nas casas afetadas pela ressaca no bairro do Campeche.

Todas estão sobre dunas de APPs (Área de Preservação Permanente) e os terrenos não poderão ser recuperados. Aliás ali, o Poder Público não pode fazer nenhuma obra para evitar maiores estragos.

Ali quem perdeu, perdeu. Casas que estavam sobre dunas não voltarão a ser erguidas”, disse Gerson Basso. “Estamos conversando com o Ministério Público Federal, pois a área é de propriedade da União para sabermos qual deve ser o nosso procedimento com relação a este caso”. Preparem-se para a choradeira e enxurradas de ações.

Mas a atitude está absolutamente correta. É uma APP e ponto final.

Na praia da Armação do Pântano do Sul, segundo o mesmo Basso, a situação seria ”diferente” pelo fato de muitas casas terem sido construídas há quase meio século, antes de legislações ambientais sobre o tema. Mesmo assim muitos dos proprietários da casas na costa perderão a maior parte do terreno. “No lugar dos terrenos há um muro de pedra. Não há como construir nada”, afirmou.

Outra precupação é com relação aos muros de pedras erguidos por particulares com o objetivo de proteger as suas propriedades. No entendimento da Floram, são necessárias licenças para colocação de pedras na praia. “Para construirmos um muro mesmo emergencialmente reunimos com órgãos ambientais e MPF no intuito de obter as autorizações”, disse. “Estamos fiscalizando e notificando os casos de pessoas que colocam pedras na praia por sua própria conta”.

Aliás o muro trouxe um cenário que mais parece de uma avenida à praia da Armação.

E ainda  tem o projeto de recuperação da praia..

Quando vai ser apresentado?

Por quem?

Os valores foram “recalculados”?

Quem vai pagar o quê?

Ninguém fala, ninguém sabe, ninguém viu…

Acho que o “pós-ressaca” vai dar ainda mais dor de cabeça à prefeitura..


Written by Fabrício Escandiuzzi

junho 13, 2010 at 2:46 am

Imagens…

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Umas imagens captadas na manhã deste sábado, 12 de junho, no Campeche, Armação e Pântano do Sul..

Dia doido, em que choveu, fez sol, apareceu arco-íris e ainda por cima venta….

Bom final de semana a todos.

Written by Fabrício Escandiuzzi

junho 13, 2010 at 2:26 am

Esperando Tainhas

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O mar acalmou um bocado.

Bastou para que os pescadores colocassem as embarcações na areia. Uns vigiavam em cima de morros, outros aguardavam ansiosamente ao lado dos barcos, com tudo no jeito.

Praia do Campeche bem movimentada desde cedo.

Estão todos, ou melhor estamos, à espera das tainhas.

Tainhas, diga-se de passagem, que ainda não vieram. Salvo uma aqui e outra acolá… Sempre chega um dizendo que pegaram mais de quatro mil na praia da Pinheira, outras mil não sei onde.  E que por isso, está mais do que na hora delas chegarem no Campeche.

Saí da praia e até então era mais um dia de frustração.

Vamos esperar que o mar continue calmo e que as benditas tainhas apareçam por aqui. Pelo menos a água hoje ali no Morro das Pedras parecia um espelho no início da manhã.

Written by Fabrício Escandiuzzi

junho 8, 2010 at 10:10 pm

Publicado em Brasil

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Ressaca na Armação: o antes e o depois

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Fui no Restaurante Vieira, ali na praia da Armação, e consegui umas fotos antigas do bairro.

Não tão antigas assim. Queria algo que mostrasse no máximo como era o local há uma década, para que eu pudesse ver o que mudou… Os “Vieira” prontamente me atenderam e cederam algumas das fotos que possuem…

Em seguida, fotografei do mesmo ponto em que as fotos haviam sido feitas.

Tem diferença? O mar avançou muito rápido? O que mudou na praia da Armação?

Olhe você mesmo…

Essa do pequeno Peter, feita em 2008, realmente me impressionou. O garoto capturava suas tainhas e brincava numa praia com uma faixa de areia imensa. E hoje?

O cenário em que o menino estava há dois anos deu lugar a um muro gigantesco, lama e máquinas.

Saudades da Armação..

Essa foi feita em 2006… Quanta areia…

No mesmo local, em junho de 2010. Quanta pedra.

Acho que nem é necessário escrever nada mais…

As imagens dizem tudo. Matéria minha publicada no Terra neste domingo traz mais algumas observações importantes sobre o tema.

Written by Fabrício Escandiuzzi

junho 6, 2010 at 11:16 pm

Ressaca na Armação: Muro vai adiantar?

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A construção de um muro de pedras para conter o avanço do mar na praia da Armação, em Florianópolis, pode agravar a situação no bairro diante de novos episódios de ressaca.

O alerta foi feito pelo diretor do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar) da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), João Luiz Baptista de Carvalho, ouvido por mim esta semana. Na opinião dele, a colocação de pedras na praia poderá agravar o quadro de erosão marinha. “O problema pode se intensificar nas próximas ocorrências de ressaca”, afirma. “A princípio, a obra protege as casas afetadas em um curtíssimo prazo. A águas irá encontrar a barreira de pedras e continuará erodindo com força a parte inferior deste muro”.

 Outra citação interessante é de que o inverno ainda nem começou o que pode trazer problemas para o que já foi uma das mais belas praias de Floripa. “Neste período as ressacas são mais frequentes e a praia já está muito fragilizada, sem nenhuma faixa de areia”, afirmou.

 

 

Opinião semelhante tem o geólogo Rodrigo Del Omo Sato, da diretoria do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) e voluntário da Defesa Civil. Ele defende a posição de que o muro não irá solucionar o problema e que apenas a retirada do molhe auxiliaria a amenizar os efeitos da ressaca. O mais grave é que o profissional afirma que pareceres técnicos estariam sendo ignorados pela prefeitura. “Tem que se atacar a causa do problema e isso não está ocorrendo”, disse. “Técnicos da área não estão sendo ouvidos porque envolve a política. Ouve-se apenaa a associação de pescadores”.

 Sato realizou um estudo com imagens da praia da Armação desde 1938. Para ele, o fechamento completo do “molhe”, realizado há menos de seis anos, teria agravado a situação. “Tem que se acreditar muito em coincidência e acaso para não perceber que o molhe alterou a dinâmica costeira. Sem o engordamento da praia tudo vai voltar a erodir. É a mesma coisa de empurrar um carro sem freio ladeira acima. Quando parar para descansar ele volta a descer”, compara. “Assim que chegar uma ressaca para valer aí veremos o que é destruição”.

 

 

Mas afinal de contas, e essa obra de engordamento? Quanto vai custar? Está nos dez milhões liberados emergencialmente?

A resposta é não.

Falei com o secretário de obras de Florianópolis, José Nilton Alexandre, na tarde desta quarta-feira, dia 2. Ele afirmou que o engordamento da praia será realizado logo após as obras emergenciais de construção do muro. O projeto ainda está tendo os valores “atualizados” mas, segundo ele, superaria a casa dos R$ 16 mi. Estes valores estão desatualizados pois são referentes aos cálculos realizados há dois anos”, disse. “Sabemos que o muro é paliativo e estamos trabalhando na recuperação da praia em si. Estamos estudando a batimetria, hidrometria e levantamento de custos para a realização da dragagem de um banco de areia localizado a 200 metros da costa”.

Alexandre revela que o preço da dragagem ainda pode aumentar “consideravelmente” o custo pelo fato de não existir no país uma única draga que consiga realizar o trabaho no mar, em condições como as encontradas na praia da Armação.

Enquanto isso, 58 caminhões realizam três viagens diárias cada um trazendo pedras ao bairro. Imagens deste sábado mostram que o troço tá ficando alto pacas, mas em alguns pontos as ondas ainda passam por cima.

Enquanto isso, a Defesa Civil emitiu um novo alerta para forte ressaca no domingo.

O tamanho das ondas? Três metros.

 

Written by Fabrício Escandiuzzi

junho 4, 2010 at 1:12 am

Ressaca na Armação: é hora de saquear

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A ressaca diminuiu. O muro de pedras vem sendo construído.

Agora o problema é  que casas vêm sendo saqueadas…

Isso mesmo.

Saques.

Casas destruídas na praia da Armação estão sendo saqueadas na madrugada.

Leva-se de tudo: madeiras, portas, janelas, azulejos e até vaso sanitário. Muitos aproveitam que as residências estão completamente abertas, com móveis e pertences à mostra.

Na casa do artista plástico Átila Ramos, que tinha móveis e eletrodomésticos pendurados, foram levados alguns pertences. No final da tarde de segunda-feira, dia 31, encontrei uma moça na porta da casa vigiando o local para que não levassem um armário. Ela esperava uma camionete alugada pelo próprio proprietário para levar algumas coisas que restaram. “Estão levando muita coisa daqui”, disse a moça.

Moradores têm medo de gravar entrevista porque os “saqueadores” seriam pessoas do próprio bairro.  Uma outra moradora, próximo à uma das casas que desabaram, relatou ter visto pessoas passarem com portas e janelas durante a madrugada. Nem mesmo o estrado de uma cama foi deixado de lado. “A alegação é a de que o material está no mar e que por isso não teria dono”, me contou.

Turismo e saque.

Será que é isso que restou da praia da Armação?  Tão linda e aconchegante há pouco atrás…

Uma observação final: falei com dois técnicos nesta sexta-feira. Um geólogo e outro oceanógrafo.

O detalhe é na opinião dos dois, o tal muro não adiantará nada. Publico detalhes nesta quinta, feriado de Corpus Christi…

Written by Fabrício Escandiuzzi

junho 3, 2010 at 5:16 am