Escandiuzzi

Procuram-se boas notícias. Mas enquanto elas não surgem….

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Mais um abandono…

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Tem certas coisas que são capazes de acabar com o dia da gente.

Precisava tirar um doloroso extrato para olhar a situação bancária e fui ao supermercado Bistek, na região da Costeira. Quando encostei o carro, percebi que estava sendo observado de longe.

Olhei para ela. Rapidamente abaixei a cabeça, desci do carro sem olhar para trás e fui fazer minhas coisas…

Minutos depois voltei e vi que ela continua a me olhar atentamente.  Abanou, como se me chamasse.

Foi o que bastou.

Me aproximei e vi que a pobre cachorrinha velava uma caixa com seus cinco filhotes…

Ela havia sido abandonada com toda a cria já há algumas horas.

Chegou uma funcionário do supermercado com três bisnaguinhas. A cachorra, com os ossos à mostra, as engoliu como se fossem a primeira refeição em muito tempo.

Voltei, comprei um pacote de ração, entrei na internet e descobri o telefone da secretaria de Bem Estar Animal.

Não poderia de forma alguma levá-la. Tem cinco gatos na minha casa, entre os meus e os que aparecem por lá para comer ração. Uma delas requer cuidados especiais por estar asma.. Isso mesmo, acredite, a bichana não pode nem se estressar.

Continuando, peguei o telefone da secretaria de Bem Estar Animal e perguntei o que deveria fazer. Contei que a cachorra estava puro osso, com quatro filhotes e etc e tal… O que fazer nessas horas?

A resposta foi sensacional: “Tens que deixá-la à sorte ou levar para a tua casa. Se eu for atender todo mundo que liga com este tipo de caso, ia precisar ter um Maracanã para guardar tantos cachorros”. Fiquei tão puto que nem lembro o nome do atendente e já desliguei o telefone.

Liguei para dois amigos veterinários que também não poderiam pegar.

Então é isso? Não tem nada para se fazer? Se eu desse uma pedrada na cabeça da cachorra, poderia ser preso por maus-tratos e ela seria levada para o canil. Mas assim ela está jogada à própria sorte.

Até entendo a postura do pobre rapaz que me atendeu. Conheço o canil da prefeitura e sei que não tem como abrigar mais ninguém, a não ser animais vítimas de maus tratos. Mas eu fico com a pergunta: abandono não é um mau trato?

O que pode ser feito?

Construir um novo canil? Realizar uma parceria para que uma ONG ou alguém de fato recolha os animais?

Gasta-se tanto dinheiro com convênios com todo o tipo de associação que se possa imaginar… Tem de tudo, associação de bairros, de ruas, de mães, de pais, tios, de clubes e sei lá mais o quê… Tanta coisa e nada que atenda os pobres dos bichos.

Alguém deve pegar, ler este texto e falar que eu sou um idiota, que prefeitura tem que se preocupar com as pessoas e não com os animais e que isso tudo é uma besteira. Para este leitor, não se deve aplicar recursos ou projetos para cuidar de bicho de rua.

Para quem pensa assim, o melhor procurar outro blog para ler. Não o meu. Pois eu defendo que deve sim haver uma política e destinação maior de recursos para cuidar dos pobrezinhos. Investem em bobagens como um show do Bocelli que não houve, uma árvore de Natal que não acendeu, convênios para associações de todo o tipo, propagandas milionárias, shows de aniversário da cidade (que questiono o valor, mas isso fica para outro post) e etc e tal.

Questão é usar dinheiro de forma correta e isso vale para tudo… desde o transporte coletivo ao bem estar do cidadão, passando pelo bem estar animal.

Fiquei com o coração na mão de ver como a cachorrinha me olhava.

Queria contar aqui que a história  terminou com um final feliz. Os funcionários resolveram cuidar dela e conseguiram a manter ali. Pelo menos estava quente, coberto, tinha ração e água. Uma família passou e levou um dos filhotes embora.

Restaram quatro. E ela, que é o que mais preocupa.

Nestas horas queria ter um sítio, ter um grande espaço para poder levar.

A sensação de impotência é uma coisa terrível.

Para quem quiser, ela ainda estava no estacionamento superior do supermercado até agorinha….

Entrei no carro sem olhar para trás. Fechei os olhos e fui embora.

Envergonhado.

Written by Fabrício Escandiuzzi

maio 18, 2010 at 3:45 am