Escandiuzzi

Procuram-se boas notícias. Mas enquanto elas não surgem….

PM Paz e Amor???

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Fui em todas as manifestações… menos na realizada na noite desta sexta-feira… Justo ela.

Neste mesmo espaço já elogiei a Polícia Militar e condenei atos de alguns dos estudantes, já a critiquei pelo uso de pistolas de choque e pelo excesso de viaturas, soldados e até cavalaria na rua. 

Vou falar o quê sobre o episódio desta sexta-feira, quando dois jornalistas que estavam a trabalho foram presos com direito a toda truculência possível? Falar o quê?

Tinha presenciado até então a prisão de uma garota que deu “Pedala Robinho” na cabeça de um policial. Justa. E de outros jovens que teriam xingado os policiais. Não os vi fazer nada.

Mas a imagem do jornalista Felipe Pereira, de camiseta rasgada, sendo levado por PMs é uma das coisas mais absurdas que já vi.  Uma vergonha para toda a corporação.

A ironia da história é que tanto o Felipe quanto o Raphael Faraco e Flávio Neves são alguns dos jornalistas mais educados que conheço aqui em Florianópolis. O Flávio mesmo quase não fala…

A outra ironia é que até então a maioria dos policiais estava tratando de maneira cordial os profissionais de imprensa que trabalhavam cobrindo a manifestação.

Ledo engano…

A PM extrapolou mais uma vez. Nenhum oficial apareceu para se desculpar oficialmente. Nenhum político – diga-se governador Leonel Pavan, que em tese é quem manda na polícia hoje – apresentou qualquer justificativa.

De onde vem essa mania de policiais mandarem que guardemos as máquinas fotográficas ou filmadoras? Não se pode fotografar por quê? Quem disse?

Não aparece um para prender o povo que assalta e usa crack numa estação da CASAN em pleno centro, diante do Terminal Florianópolis, menos de uma quadra de distância de um posto da PM. Para gritar com jornalistas, bater em estudante, usar cachorros, cavalos, choques elétricos e proibir fechamento de ruas, aparecem 800.

Eu havia tanto elogiado quanto criticado o trabalho da PM, como disse antes, neste mesmo espaço. Disse também que os estudantes precisavam de um ato para ganhar de vez a população.

Não precisaram fazer nada. A PM com uma conduta absurda, tratou de fazer isso.

Acredito que as próprias emissoras locais tratarão o protesto de uma forma distinta agora. Eu mesmo chegarei para realizar cobertura com um outro espírito. Não estou seguro com a Polícia Militar que temos nem mesmo para executar o meu trabalho.

Lembro na quinta, do comandante Ranlow dizer a estudantes de jornalismo que era “amigo da imprensa”.  Ele estava nesta manifestação? Imagina se fosse inimigo…

O ato desta sexta só nos faz lamentar a PM que possuimos. Uma vergonha. O curioso é que reflete exatamente a postura de nossos políticos, que enfiam goela abaixo um aumento de tarifa de ônibus, não explicam nada ao povo, mudam trânsito ao bel prazer, elaboram planos diretores nas coxas fodendo com o meio ambiente, começam obras e não terminam, pagam shows de cantor cego e quem não o vê é o povo, compram árvore de LEDs que não acende. Reclamam e se dizem perseguidos quando questionados pelo povo ou pela justiça. Mas nunca aparecem para explicar, pedir desculpas ou debater. São autoridades, não podem ter ser atos criticados.

É o retrato fidedigno da PM, que abusa e não aceita ser questionada.

Em suma: quem questiona, pratica desacato. É isso que entendi?

Apesar de estar com raiva da conduta da Polícia Militar e da ausência de culhão de muitos dos políticos que temos para resolver esse impasse, recorro a uma frase famosa daquele moço barbudo, igualmente famoso. Não o barbudo de Brasília, mas aquele que morreu na cruz: “Perdoai senhor, eles não sabem o que fazem”.

 

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Written by Fabrício Escandiuzzi

maio 23, 2010 às 2:01 am

2 Respostas

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  1. Não acho que os policiais estavam sendo cordiais com a imprensa. Nunca foram. No primeiro dia de manifestação contra o aumento (07 deste mês), um GRT jogou spray de pimenta diretamente na lente da minha câmera fotográfica enquanto eu mirava o tubo que ele trazia nas mãos. Na última quinta-feira, 20, eles dispararam várias vezes a pistola de choque contra a imprensa, quando esta chegava para registrar o momento em que prendiam algum manifestante. E lembre-se que na manifestação de 2006 um fotógrafo do DC foi preso e espancado: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=369CID005

    Daniela Cucolicchio

    maio 24, 2010 at 10:45 am

    • Dani
      Até então havia sentido uma ação cordial, ou então pelo menos uma tolerância, nas manifestações as ultimas semanas. Até então eu e os colegas mais próximos não havíamos relatado nada. Uma únic coisa que ocorreu comigo foi ter sido atingido por uma bola de gude lançada por um manifestante. Sofri duas ou três grosserias por parte Guardas Municipais, mas os acho tão incopetentes que nem contabilizo.

      Uma pena que na sexta foi o dia em que havia o menor número de jornalistas. Eu, Rubinho, muitos dos próprios alunos da Univali, e outros de veículos locais não estiveram no ato. Estava chovendo e ninguém achou que a manifestação iria prosperar.
      Sem lentes o que a PM faz??

      Ja sabemos

      Fabrício Escandiuzzi

      maio 24, 2010 at 10:20 pm


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