Escandiuzzi

Procuram-se boas notícias. Mas enquanto elas não surgem….

Dona Guertha….

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Guertha diante de sua casa em Blumenau: a única entregue na cidade

 Esta é dona Guertha Arber Karl.

 Mora no bairro Fidélis, em Blumenau, e é uma das únicas vítimas da enchente de novembro de 2008 que ganharam uma casa.  Não foi do Poder Público, foi contemplada pelo Instituto Ressoar. Cheguei a sua casa e fiquei impressionado com a triste história que a ex-moradora do Morro do Baú me contou. Na tragédia, dona Guertha perdeu os pais, marido, um filho de 28 anos e uma filha grávida de cinco meses.

 Tudo de uma só vez.

 Desde então, ela foi internada várias vezes com problemas de pressão alta e evita lugares onde há qualquer tipo de aglomeração de pessoas. A sua luta nos últimos meses foi para conseguir, enfim, construir um túmulo de mármore para o marido e o filho. “Sei que nunca mais serei a mesma”, diz. “Queria ter tido tempo de me despedir. Falar adeus”.

 1080 pessoas ainda moram em sete abrigos na cidade de Blumenau. Eu os visitei para elaborar um vídeo com algumas histórias. Dona Guertha foi quem mais me impressionou. Recolhe animais pela rua, mora com o único filho de 22 anos que sobrou na tragédia. A única recordação que tem família é a lembrança e três fotos 3×4 que estavam em sua bolsa. Bolsa aliás, que foi encontrada por acaso boiando em um rio do Baú.

 O resto, todo o resto, ficou debaixo de lama.

 Dona Guerta me impressionou não porque tem uma história de superação ou porque tenha se reerguido após o desastre. Muito pelo contrário.  Sua história não vai se transformar num filme de Hollywood, daqueles em que vemos pessoas em situação terrível se levantarem, vencerem e deixarem a platéia chorando… Que ela nunca mais será a mesma, disso qualquer um não tem a menor dúvida. Se vai, um dia, sorrir por qualquer coisa que seja, só o tempo vai dizer.

 O que mais me impressionou em dona Guertha foi o fato de ter percebido o quanto é cruel a herança deixada por aquele terrível mês de novembro de 2008.  Nem mesmo acompanhar os trabalhos de resgate me deixou tão angustiado….

 Tive vergonha de sequer pensar em lamentar ou reclamar de algo na minha vida.  

 

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Written by Fabrício Escandiuzzi

abril 25, 2010 às 1:25 am

Uma resposta

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  1. A questão de distribuição de casas após a catástrofe se transformou numa grande vergonha. SC não merece isso.

    Agência ODM

    abril 25, 2010 at 8:37 am


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