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Sobre ressacas, muros, estaleiros e campanhas
Nunca antes na história dessa cidade houve uma união tão grande de políticos em torno de um objetivo….
A atuação de parlamentares, candidatos, governo e etc em torno do tal estaleiro do Eike Batista realmente é uma coisa impressionante.
Não vi união assim para resolver o problema de mais de mil pessoas que continuam nas moradias provisórias de Blumenau. Vivem em galpões, usam conteineres como banheiro. Quer saber como é? Clique aqui.
Na praia da Armação do Pântano do Sul, o tal muro está sendo erguido… Nesta segunda-feira, dia 19, a água chegava a passar por cima em vários pontos. E olha que não estamos enfrentando nenhuma ressaca.
Aqui, neste caso, assim como no dos desabrigados da enchente de 2008, não houve tanta “comoção política” como o tal do estaleiro do Eike. Vai gerar cinco mil empregos.. que maravilha… O turismo acho gera muito mais do isso, sem precisar mexer em áreas de preservação ou desalojar golfinhos na baía que chama, não por acaso, Baía dos Golfinhos.
O que lamento é que as coisas andam na contramão. Ao invés de se cumprir estritamente o que está na legislação ambiental, movimenta-se políticos e autoridades para “viabilizar” a construção do estaleiro.
Resumindo em outras palavras: reúnem-se todos para dar um “jeitinho” de viabilizar isso. A lei que trate de se adaptar aos interesses e à “geração de empregos para a comunidade”
E os ecochatos, ambientalistas e defensores da natureza que se f….
Mas, volto neste assunto depois das audiências públicas deste semana…. Essas fotos foram tiradas hoje na praia da Armação..
O muro está “lindo”, não deixa o mar chegar tão perto. Acabou a areia, acabou a praia. Guarda-sol e caiprinha à beira mar ali, só se for em cima do muro… Não dá mais para pegar onda, tamanhos são os tocos que foram lançados ao mar depois que as casas e encostas foram destruídas.
Tá maravilhoso né? Uma praia de cartão-postal….
Tem até ciclovia agora, dá para correr, fazer cooper… estender uma canga, ler um livro em cima de um muro de pedra de dez milhões de reais.. Não é para qualquer um..
Para o turismo é bom… Tanta gente sai daqui para ver o que sobrou do Muro de Berlim.. Temos agora a praia da Armação e sua imponente muralha…
E no Campeche? Olha aqui abaixo.. Casas penduradas, belo visual em meio aos destroços…
Tudo ruindo devido à força do mar….
Um molhe, com uma meia dúzia de pedras, é apontado por nove entre dez pessoas que ouvi (incluindo especialistas) como o causador ou grande contribuidor para o problema na praia da Armação.
A construção de casas sobre dunas de uma área de preservação também fez com que o problema ocorresse no Campeche.
Interferências do homem.
Interferências pequenas, mínimas, se compararmos com o impacto que um estaleiro pode causar na baía norte de Florianópolis.
Bilhões de reais em investimento. Milhares de empregos. Que coisa linda.
Os caras falam em jogar arsênio na água como se fosse a coisa mais normal do mundo…. Não era ali na baía norte que íriamos nadar, como nos prometeram em outras campanhas???
Não estamos podendo nadar nem mais no sul da ilha…
Tudo isso vale a pena???
Sopa de letrinhas
Reunião do PP na segunda pela manhã. Diretório do PSDB na parte da tarde. Isso na segunda-feira.
Na terça-feira: panfletagem de petistas no Terminal Central. Reunião de prefeitos do PMDB em um hotel do centro de Florianópolis. Coletiva com picanha na casa do governador Leonel Pavan.
Isso sem contar o material sobre frio, tainhas e Armação.
Estou numa maratona “político-noticiosa”.
E como disse muito bem o Moacir Pereira em belo artigo hoje, já tá uma chateção esse negócio de tríplice aliança.
PMDB diz que vai com DEM e PSDB… Mas o PT diz que o PMDB vai com o PT e a Dilma. O PSDB diz então que vai com o PP. Mas o PP diz que vai com o PDT. O PDT, uma parte vai com o PP mesmo, a outra diz que vai só com PDT. O DEM vai sozinho ou com o PMDB e o PSDB, mas nunca com o PT…
E eu vou para a PQP, porque tá foda essa chateação.
Ninguém fala com a impresa com medo de melindrar os sonhados aliados. Um aliado marca uma conversa ali, o outra marca outra de lá. E nada acontece.
Fritsch panfletando disse em entrevista ao Terra que já haveria um acordo firmado com o PMDB catarinense para não agressão. Leia aqui.
Pavan fez um churrasco para a imprensa. Alguns figurões engravatados e outros, como eu, com a blusa de moletom surrada (mas bem quentinha) com que saí pela manhã para fotografar o “frio” e a espera das tainhas. Para variar, nenhuma nova revelação bombástica… Disse que se PMDB e PT selarem o tal pacto, no mesmo dia ele conversaria com o PP (essa foto é maldade pura, mas não dá para deixar de usá-la né?).
Compasso de espera.
Enquanto isso, a triplice aliança (ou chatice, como diz o Moacir), segue assando. Sinceramente acho que já passou do ponto.
Tá mais para uma grande sopa de letrinhas. Não sabemos o que vai sair dali…
Em tempo: O César Valente também publicou um excelente material sobre essa discussão casa-não casa, alia-não alia….Leia aqui
Ressaca na Armação: é hora de saquear
A ressaca diminuiu. O muro de pedras vem sendo construído.
Agora o problema é que casas vêm sendo saqueadas…
Isso mesmo.
Saques.
Casas destruídas na praia da Armação estão sendo saqueadas na madrugada.
Leva-se de tudo: madeiras, portas, janelas, azulejos e até vaso sanitário. Muitos aproveitam que as residências estão completamente abertas, com móveis e pertences à mostra.
Na casa do artista plástico Átila Ramos, que tinha móveis e eletrodomésticos pendurados, foram levados alguns pertences. No final da tarde de segunda-feira, dia 31, encontrei uma moça na porta da casa vigiando o local para que não levassem um armário. Ela esperava uma camionete alugada pelo próprio proprietário para levar algumas coisas que restaram. “Estão levando muita coisa daqui”, disse a moça.
Moradores têm medo de gravar entrevista porque os “saqueadores” seriam pessoas do próprio bairro. Uma outra moradora, próximo à uma das casas que desabaram, relatou ter visto pessoas passarem com portas e janelas durante a madrugada. Nem mesmo o estrado de uma cama foi deixado de lado. “A alegação é a de que o material está no mar e que por isso não teria dono”, me contou.
Turismo e saque.
Será que é isso que restou da praia da Armação? Tão linda e aconchegante há pouco atrás…
Uma observação final: falei com dois técnicos nesta sexta-feira. Um geólogo e outro oceanógrafo.
O detalhe é na opinião dos dois, o tal muro não adiantará nada. Publico detalhes nesta quinta, feriado de Corpus Christi…
Ressaca: a vez da Barra da Lagoa e do Campeche
Agora é a vez da Barra da Lagoa e do Campeche.
Mais drama. Ondas tomaram restaurantes e casas à beira-mar.
No Campeche, um impressionante muro de areia com quatro metros de altura se formou.
Casas igualmente ameaçadas. Casas com construções contestadas na Justiça e por muitos moradores justamente por estarem sobre dunas.
Culpa do mar? Do aquecimento global? Da Defesa Civil?
Óbvio que não…
Foguetórios a parte, a previsão de uma nova e intensa ressaca nos próximos dias coloca todo mundo em alerta.
Entrevistei uma família de pescadores na Barra. Viviane Laura Corrêa, com apenas 28 anos, se mostrou uma das pessoas mais sábias que entrevistei neste episódio todo da ressaca. Contou que o avô vendeu o terreno da frente de sua casa e garantiu a construção de moradia para todos os filhos no fundo. “Ele sempre disse que o olho do homem iria destruir nossa ilha”, afirmou. “Aqui em Floripa pode tudo. Mexem na praia para montar restaurante e até alargam avenida Beira-mar para que os ricos possam correr. Nunca vi ninguém da prefeitura aqui a não ser em inauguração”.
Saí da Barra da Lagoa com essas palavras ecoando na minha cabeça. É a pura verdade. Construções sobre dunas, legalizações vias cartórios duvidosos, empreendimentos em prol da “geração de empregos” e outras balelas. Nada disso cabe mais por aqui.
Aterros, ajeitos, resorts e estaleiros. Nadica. Cabe cuidar do que temos antes que não tenhamos mais nada.
O prefeito Dário Berger tem uma chance de ouro para fazer história, mesmo com as indecências de shows e outras coisitas más. Pode fazer um plano diretor decente, acertar a questão da devastação e trabalhar pelo desenvolvimento sustentável da ilha… Resta saber se irá fazê-lo.
Mas para isso é preciso ouvir técnicos e não falsos pescadores interessados em foguetes e projeção política, como tenho percebido na praia da Armação. Ou em construtoras-financiadoras de campanhas interessadas em sabemos bem o quê…
Não gostaria de ver esse cenário nos próximos anos em Floripa. A atual prefeitura não tem culpa de tudo. O risco é ser mais uma entre tantas outras que se passaram a omitir. Está aí o desafio.
O “ecochato” nunca esteve tão certo. Mas garanto que nenhum deles está feliz em ver o que vem acontecendo.
E agora, companheiro???
O que dizer do que ocorreu hoje no centro de Florianópolis?
Que a Polícia Militar usou de força excessiva e lembrou a época da ditadura?
Que a manifestação estava repleta de vândalos que deixaram um rastro de destruição no centro?
Nenhuma das alternativas é a correta.
A PM, ao contrário do ocorreu nos últimos quando prendeu até jornalistas, dessa vez não disparou tiros e não usou de agressividade. Só vi policiais tentando conter manifestantes mais exaltados, com os rostos encobertos e o escambau. Sem violência alguma.
Os jovens, que de outras vezes como relatei aqui, deram um show de civilidade com manifestações bem humoradas e artísiticas, desta vez perderam o rumo. Extrapolaram.
Alguns dos estudantes nesta sexta agiram como a Polícia Militar na semana passada. Do mesma maneira que nos primeiros manifestos um Guarda Municipal ordenou que eu desligasse a câmera, hoje foi a vez de um pirralho com seus 14 anos ter a mesma atitude. Para os dois, a resposta foi a mesma. Mandei a um lugar que não deve ser lá muito agradável e não convém escrever aqui.
Vão me crucificar, dizer que sou contra movimento social, que estão lutando por mim e etc… Também dizia isso. Já tava na rua quando muitos dos que estavam ali hoje não eram sequer nascidos… Já perdi e ganhei. Mas não é isso que importa.
Importa é que lamentei muito ver aquela correria e aqueles atos de puro vandalismo praticados por alguns (veja bem, disse ALGUNS) dos manifestantes. Tem muita gente engajada e séria ali dentro. Muita mesmo. O erro é não ter uma liderança de fato, uma liderança natural. Liderança nos atos e não no discurso. Isso, infelizmente, fez muita falta.
O que vai ficar, o que vai ser noticiado pela mídia, serão os vidros quebrados de agências bancárias, a porta de uma loja estilhaçada, lixeiras e sacos espalhados pelo calçadão e muros “pixados”. Péssimo…Aí tem um que vai dizer: “Foi um P2″, foi um “infiltrado” e etc… Mas se a coisa fosse bem conduzida, não chegaria ao ponto de termos um corre-corre pelo centro.
Com 874.962 mil policiais e outras 350 mil viaturas no centro, os estudantes acharam que conseguiriam driblar a PM se dividindo ou saindo correndo pelo centro??? Pelo amor de Deus né, vamos deixar a utopia em casa.
O que era algo divertido, ficou algo perigoso.
Três semanas de protesto e a prefeitura sequer moveu uma palha no sentido de mostrar uma mínima chance de reduzir a tarifa. Que é um disparate, uma vergonha, um abuso isso é. Só que o problema é que os atos de alguns depredaram não só o centro. Depredaram o próprio movimento. Depois de hoje, tudo volta não à tarifa zero, mas à estaca zero.
Protesto em rua, pelo menos por enquanto, é uma coisa que perdeu o sentido depois do que ocorreu hoje. É preciso dar um tempo e, convenhamos, tem coisa que dez pessoas podem fazer melhor melhor do que 800. Um protesto inteligente é uma forma de reconquistar a população. Falta o líder dizer o que fazer…
Vamos dar o exemplo da própria PM. Depois da confusão da sexta-feira passada, dia 21, quando um jornalista foi preso, os policiais se recolheram e mal apareceram no protesto seguinte. A função coube à GM na última segunda… quem esteve lá sabe disso.
O que é preciso fazer é sentar, esfriar a cabeça, analisar os erros e tentar aprender com eles. O confronto, a depredação, o tumulto não ajudam em nada. Uma derrota numa batalha, como ocorreu hoje, deve ser para mudar o tom, para se auto analisar.
Dar um murro em ponta de faca acontece. Esmurrá-la o tempo todo é idiotice.
Se a PM mudou a postura e deu um banho, será que os estudantes não são capazes de fazer o mesmo?
Tapa na cara
A Polícia Militar mal apareceu na manifestação realizada pelos estudantes nesta segunda-feira…
Vergonha do que ocorreu na sexta? Pode ser.
Deixou que a Guarda Municipal acompanhasse os garotos o que, na minha opinião, é ainda mais perigoso diante do despreparo de alguns.
A apresentação teatral diante do TICEN foi sensacional. Até jornalista “apanhou” na encenação. Não tinha um representante de sindicato de jornalistas ali, o que acho condenável.
A defesa e o repúdio ao ato da PM contra jornalistas da RBS coube, quem diria, aos estudantes.
Um tapa na cara. Uma lição.
E o protesto ocorreu na maior tranquilidade mesmo sem policiamento ostensivo, cães, cavalarias, tropa de choque e desfile de viaturas. A Mauro Ramos foi bloqueada por alguns minutos, depois o TICEN. Aí a PM apareceu e os jovens saíram. Sem confronto, sem discussão, sem exaltação…
E a prefeitura mais uma vez, sem nenhuma explicação…
Depois desta segunda-feira, que foi o ato mais tranquilo de todos, chego a uma triste conclusão: o que deixa os protestos tumultuados e tensos não são os manifestantes. É a polícia.
Ganhou o bom humor, ganhou a cidade.
Resta saber até quando os estudantes irão protestar e até quando a prefeitura irá silenciar…
PM Paz e Amor???
Fui em todas as manifestações… menos na realizada na noite desta sexta-feira… Justo ela.
Neste mesmo espaço já elogiei a Polícia Militar e condenei atos de alguns dos estudantes, já a critiquei pelo uso de pistolas de choque e pelo excesso de viaturas, soldados e até cavalaria na rua.
Vou falar o quê sobre o episódio desta sexta-feira, quando dois jornalistas que estavam a trabalho foram presos com direito a toda truculência possível? Falar o quê?
Tinha presenciado até então a prisão de uma garota que deu “Pedala Robinho” na cabeça de um policial. Justa. E de outros jovens que teriam xingado os policiais. Não os vi fazer nada.
Mas a imagem do jornalista Felipe Pereira, de camiseta rasgada, sendo levado por PMs é uma das coisas mais absurdas que já vi. Uma vergonha para toda a corporação.
A ironia da história é que tanto o Felipe quanto o Raphael Faraco e Flávio Neves são alguns dos jornalistas mais educados que conheço aqui em Florianópolis. O Flávio mesmo quase não fala…
A outra ironia é que até então a maioria dos policiais estava tratando de maneira cordial os profissionais de imprensa que trabalhavam cobrindo a manifestação.
Ledo engano…
A PM extrapolou mais uma vez. Nenhum oficial apareceu para se desculpar oficialmente. Nenhum político – diga-se governador Leonel Pavan, que em tese é quem manda na polícia hoje – apresentou qualquer justificativa.
De onde vem essa mania de policiais mandarem que guardemos as máquinas fotográficas ou filmadoras? Não se pode fotografar por quê? Quem disse?
Não aparece um para prender o povo que assalta e usa crack numa estação da CASAN em pleno centro, diante do Terminal Florianópolis, menos de uma quadra de distância de um posto da PM. Para gritar com jornalistas, bater em estudante, usar cachorros, cavalos, choques elétricos e proibir fechamento de ruas, aparecem 800.
Eu havia tanto elogiado quanto criticado o trabalho da PM, como disse antes, neste mesmo espaço. Disse também que os estudantes precisavam de um ato para ganhar de vez a população.
Não precisaram fazer nada. A PM com uma conduta absurda, tratou de fazer isso.
Acredito que as próprias emissoras locais tratarão o protesto de uma forma distinta agora. Eu mesmo chegarei para realizar cobertura com um outro espírito. Não estou seguro com a Polícia Militar que temos nem mesmo para executar o meu trabalho.
Lembro na quinta, do comandante Ranlow dizer a estudantes de jornalismo que era “amigo da imprensa”. Ele estava nesta manifestação? Imagina se fosse inimigo…
O ato desta sexta só nos faz lamentar a PM que possuimos. Uma vergonha. O curioso é que reflete exatamente a postura de nossos políticos, que enfiam goela abaixo um aumento de tarifa de ônibus, não explicam nada ao povo, mudam trânsito ao bel prazer, elaboram planos diretores nas coxas fodendo com o meio ambiente, começam obras e não terminam, pagam shows de cantor cego e quem não o vê é o povo, compram árvore de LEDs que não acende. Reclamam e se dizem perseguidos quando questionados pelo povo ou pela justiça. Mas nunca aparecem para explicar, pedir desculpas ou debater. São autoridades, não podem ter ser atos criticados.
É o retrato fidedigno da PM, que abusa e não aceita ser questionada.
Em suma: quem questiona, pratica desacato. É isso que entendi?
Apesar de estar com raiva da conduta da Polícia Militar e da ausência de culhão de muitos dos políticos que temos para resolver esse impasse, recorro a uma frase famosa daquele moço barbudo, igualmente famoso. Não o barbudo de Brasília, mas aquele que morreu na cruz: “Perdoai senhor, eles não sabem o que fazem”.
Exército na Armação
Duzentos soldados do Exército começaram nesta sexta-feira a trabalhar na construção de um muro de sacos de areia para tentar conter o avanço do mar na praia da Armação. O pessoal da prefeitura, incluindo o prefeito Dário Berger, deram as caras para acompanhar o esforço dos soldados. Põe areia em saco, põe saco em caminhão, carrega até perto da praia e monta a barricada, cansei só de olhar.
Há o temor que com a ressaca prevista para o início da semana, a água possa atingir a rodovia SC 406.
Tem casa ali já ameaçando cair, como esta da foto abaixo.
Falei com dois oceanógrafos: Jarbas Bonetti, da UFSC e Argeu Vans, do CIRAM. Para os dois especialistas, o muro é apenas uma medida provisória. Em tese, pode amenizar a situação em dois ou três episódios de ressacas e tempestade. Nada mais do que isso.
A natureza veio cobrar a conta pois as casas construídas sobre as “dunas frontais” prejudicaram todo o ecossistema. “Praia não é só o guarda-sol que usamos para descansar”, disse o professor Bonetti. “Ela é um sistema, formado pelas dunas, pela areia e pela área que está submersa. A água não eoncontra sedimentos necessários e busca nas dunas, justamente onde estão as construções”.
Resumindo, quem está no lugar errado não é o mar. São as casas.
E o que fazer agora?
Moratória e proibir novas construções? Tirar todo mundo?
Ali na Armação, como os próprios oceanógrafos explicam, é um processo sem fim. O mar vai avançar mais e mais e mais…
Resta lamentar e acender o estado de alerta.
Fica o aviso para as outras praias daqui. Onde planejam resorts, portos, marinas, aterros, estaleiros e coisas do gênero.
Santa Catarina tem um dos litorais mais belos do país justamente por suas características “selvagens” e em alguns locais “inexplorados”.
Por que mudar?
A natureza deu ao estado o seu mais belo presente: a beleza. Mas o homem, ou seja nós, não a preservamos.
Idolatramos tanto a beleza, mas teimamos em estragar tudo de belo que está diante dos nossos olhos.
Paz e Amor
Da outra vez critiquei o excesso de policiais militares na manifestação de estudantes que brigam contra o reajuste da tarifa.
Desta vez não haviam tantos… e ocorreram prisões.
Todas por “ofensas”, “xingamentos” e “desacato”… Não vi, realmente, xingamento nenhum na maioria delas.
Vi uma garota que pediu para ser presa. Deu não um, mas uns vinte “Pedala Robinho” no capacete do PM… Depois ainda saiu esperneando, gritando, pedindo por socorro e chegou a dizer que a mãe ficaria braba por ser presa. Fez aquilo por quê então?? Que ser humano iria gostar de ser fotografado e filmado servindo de pandeiro sem esboçar nenhuma reação? Ela pediu.
Em alguns momentos achei que a coisa fosse ficar feia. Foi por pouco.
Os estudantes que de outras vezes agiram na “paz e amor”, desta vez chegaram ao limite em alguns momentos. Quase fui atingido, com outros dois colegas de imprensa, por uma chuva de “bolinhas de gude”.
E antes que me critiquem: vi quem jogou. Não era “P2″…
Continuo achando a cavalaria um tremendo de um exagero. Uma provocação e intimidação desnecessárias.
Continuo achando o movimento dos estudantes ótimo e legítimo, embora hoje estivesse com menos integrantes e com algumas situações de risco. E também com provocações aqui e ali.
Vai continuar? Vai…mas precisa mudar alguns pontos. A PM se precavem com todo o aparato e provavelmente uma ponte, ou uma avenida Beira-mar nunca mais serão fechadas sem confronto.
E repito: ninguém ganha com isso.
Só acho que ações distintas, simbólicas, bem humoradas, podem chamar mais atenção do que apenas os protestos. Acorrentar-se no SETUF foi um dos atos mais interessantes do movimento até aqui.
Na porta da cada do prefeito pode ser uma boa. Uma greve de fome. A presença numa solenidade pública.
Tudo isso rende mídia e não parte para um confronto com policiais armados. Por mais que a PM estivesse totalmente “Paz e Amor” no protesto desta quinta-feira.
Os estudantes mostraram a cara, mostraram-se para o povo e disseram que não estão satisfeitos. A estratégia agora precisa mudar.
Precisam ganhar o povo. De vez…
O show que ninguém viu….
O prefeito Dário Berger tomou mais uma paulada na cabeça.Um recurso pedindo a revogação do bloqueio de seus bens foi negado pelo Tribunal de Justiça. Para quem não lembra, os bens do peemedebista e outros tantos envolvidos foram bloqueados depois da contratação de show do Andrea Bocelli que ninguém viu. (perdoem o trocadilho infame).
Anunciado em coletiva, em meio a toda pompa que conhecemos, o tenor italiano fez a apresentação mais tranquila de sua vida. Não viajou, não cantou por mais de duas horas, mas recebeu seu din-din..
Fiz a matéria nesta segunda para o portal Terra. Ela segue na íntregra aqui. Quem quiser ver no portal, o link está logo abaixo.
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina decidiu manter a indisponibilidade dos bens do prefeito de Florianópolis, Dário Berger (PMDB), após a polêmica contratação de um show do tenor italiano Andrea Bocelli.
O espetáculo, orçado em R$ 3,7 milhões, encerraria a programação de final de ano na capital catarinense, mas acabou não ocorrendo.
O juiz Luiz Antônio Fornerolli, da Unidade da Fazenda Pública, havia determinado em março a indisponibilidade dos bens até o limite de R$ 2,5 mi. Esse valor acabou sendo pago antecipadamente pelo Poder Público, mesmo o espetáculo não tendo sido realizado. Além de Dário, a decisão atingiu o então secretário de Turismo, Mário Cavalazzi, dois assessores e o sócio da empresa responsável pelo show, Ricardo Valente.
A nova derrota ocorreu num agravo de instrumento apresentado pelo prefeito. Berger alegou que a decisão de manter seus bens bloqueados estaria causando “imensuráveis prejuízos”. “(O prefeito) acrescenta que é pessoa pública e que a manutenção da medida judicial tem lhe provocado imensuráveis prejuízos, não só em razão de sua condição de político como também no aspecto privado”, anotou o desembargador Rodrigo Collaço, relator da matéria.
A negativa do TJ foi baseada no fato que a indisponibilidade de bens seria uma “medida cautelar” para evitar que acusados acabem “dilapidando” o próprio patrimônio. Collaço também sustentou que o artigo 7º da Lei de Improbidade Administrativa exige indícios de responsabilidade do agente público para determinar o bloqueio de bens o que, segundo ele, teria sido demonstrado na ação impetrada pelo Ministério Público. “Comprovados fatos que, em tese, são tipificados como atos de improbidade e de autoria calçada em fortes indícios, em avançada apuração, pode-se estabelecer um juízo de probabilidade que autoriza certas providências acautelatórias”, anotou em relatório.
A decisão foi publicada na última sexta-feira. Dário Berger ainda pode recorrer. A Ação Civil Pública impetrada pelo MP ainda corre na Justiça.


























