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Harper, Donavon e Floripa
Após o Harper, o Berger
É bom deixar claro, antes de mais nada, que eu escrevi várias vezes que estava torcendo para queimar minha língua.
E que bom que eu a torrei.
Eu não tinha nenhuma dúvida que o show, as apresentações, seriam ótimas. E foram mais do que isso.
A organização do evento funcionou direitinho lá dentro, tirando uma ou outra dificuldade dos seguranças e de parte da produção em passar informações corretas. Não consigo entender porque alguns que trabalham em segurança são tão grossos, mas é bom relevar diante da quantidade de gente que estava lá.
A imensidão de pessoas na praia do Campeche foi algo que eu nunca havia visto. Hoje pela manhã, a rapaziada da COMCAP limpou tudo rapidinho. O cercado para a área de preservação está de pé. Isso apesar do local ter sido farta e largamente usado pelo pessoal que estava na praia para dar aquela “turbinada ilícita”.
O espaço de preservação também virou banheiro público das pessoas que não conseguiram entradas e acompanharam tudo na praia.
Uma falha, é preciso banheiros na praia, ainda mais sabendo a quantidade absurda de pessoas que foram ao evento.
O show realmente foi único.
A japonesinha Sabrina Sato e o orelhudo do Carioca tratavam a todo instante de pedir cuidado com o meio ambiente ao pessoal que estava no show.
Dentro, mil maravilhas. O problema realmente ela lá fora, mas foi bem menor do que o pessoal temia.
Mas se engana quem pensa que tudo correria tão bem não fosse a pressão local contra a organização. O fato de dois shows terem sido marcados “aliviou a tensão”. Muito mais gente seguiria para o Campeche caso fosse apenas uma apresentação.
Se não houvesse cobranças e acompanhamento por parte dos moradores e de parte da imprensa, teríamos sim, um estrago maior. Menos seguranças, menos organização e claro, menos um show. Percebi que boa parte da equipe de produção se dedicou muito para tentar fazer algo com o menor impacto possível.
Não sei como foi o trânsito, que deve ter sido diluído ao longo do dia…
Posso dizer como foi para quem mora no Campeche, teve impacto sim. Mobilidade restrita, movimento exagerado, onde podia-se andar estava engarrafado…
Por fim, acho que a mobilização e a polêmica em torno desta questão foram muito importantes.
Florianópolis precisa debater seu futuro com seriedade, não com as coisas feitas nas coxas como há muito tempo vem sendo feito.
Construções no bairro, que brotam da terra de um dia para o outro para depois serem autorizadas pelo poder público, precisam ser contidas ou melhor analisadas.
Aquele Plano Diretor medíocre encomendado junto a uma empresa da Argentina precisa ser finalizado, discutido. A comunidade, e isso em qualquer bairro, não pode ter que engolir certas coisas goela abaixo como fazem.
O show do Ben Harper e de Donavon Frankenreiter, em especial, foram sensacionais. Ali dentro do espaço, tudo ocorreu muito bem e queimei a minha língua, graças a Deus….
Só esperamos mais seriedade por parte de organizadores de eventos ANTES de anunciar seus espetáculos.
Da prefeitura principalmente, esse evento foi positivo: chegou uma chance de ouro que as autoridades não podem ser cretinas de desperdiçar. Após toda a polêmica, é momento de chamar a comunidade e definir o que pode, o que não pode, o que talvez possa e o que não deve ser feito de jeito nenhum.
Pessoal precisa estar junto e não ficar nessa lenga de discussão “haole” ou “nativo”, como ainda fazem questão de pregar alguns com o QI prejudicado pela falta de neurônios.
O pessoal que vive em Floripa não deve esquecer de toda a polêmica só porque no palco, os cantores fizeram o que mais sabem fazer: Dar um belo show.
Espero que a questão não pare por aqui. Após o Harper, é hora de cobrar o plano diretor decente do Berger.
E agora, companheiro???
O que dizer do que ocorreu hoje no centro de Florianópolis?
Que a Polícia Militar usou de força excessiva e lembrou a época da ditadura?
Que a manifestação estava repleta de vândalos que deixaram um rastro de destruição no centro?
Nenhuma das alternativas é a correta.
A PM, ao contrário do ocorreu nos últimos quando prendeu até jornalistas, dessa vez não disparou tiros e não usou de agressividade. Só vi policiais tentando conter manifestantes mais exaltados, com os rostos encobertos e o escambau. Sem violência alguma.
Os jovens, que de outras vezes como relatei aqui, deram um show de civilidade com manifestações bem humoradas e artísiticas, desta vez perderam o rumo. Extrapolaram.
Alguns dos estudantes nesta sexta agiram como a Polícia Militar na semana passada. Do mesma maneira que nos primeiros manifestos um Guarda Municipal ordenou que eu desligasse a câmera, hoje foi a vez de um pirralho com seus 14 anos ter a mesma atitude. Para os dois, a resposta foi a mesma. Mandei a um lugar que não deve ser lá muito agradável e não convém escrever aqui.
Vão me crucificar, dizer que sou contra movimento social, que estão lutando por mim e etc… Também dizia isso. Já tava na rua quando muitos dos que estavam ali hoje não eram sequer nascidos… Já perdi e ganhei. Mas não é isso que importa.
Importa é que lamentei muito ver aquela correria e aqueles atos de puro vandalismo praticados por alguns (veja bem, disse ALGUNS) dos manifestantes. Tem muita gente engajada e séria ali dentro. Muita mesmo. O erro é não ter uma liderança de fato, uma liderança natural. Liderança nos atos e não no discurso. Isso, infelizmente, fez muita falta.
O que vai ficar, o que vai ser noticiado pela mídia, serão os vidros quebrados de agências bancárias, a porta de uma loja estilhaçada, lixeiras e sacos espalhados pelo calçadão e muros “pixados”. Péssimo…Aí tem um que vai dizer: “Foi um P2″, foi um “infiltrado” e etc… Mas se a coisa fosse bem conduzida, não chegaria ao ponto de termos um corre-corre pelo centro.
Com 874.962 mil policiais e outras 350 mil viaturas no centro, os estudantes acharam que conseguiriam driblar a PM se dividindo ou saindo correndo pelo centro??? Pelo amor de Deus né, vamos deixar a utopia em casa.
O que era algo divertido, ficou algo perigoso.
Três semanas de protesto e a prefeitura sequer moveu uma palha no sentido de mostrar uma mínima chance de reduzir a tarifa. Que é um disparate, uma vergonha, um abuso isso é. Só que o problema é que os atos de alguns depredaram não só o centro. Depredaram o próprio movimento. Depois de hoje, tudo volta não à tarifa zero, mas à estaca zero.
Protesto em rua, pelo menos por enquanto, é uma coisa que perdeu o sentido depois do que ocorreu hoje. É preciso dar um tempo e, convenhamos, tem coisa que dez pessoas podem fazer melhor melhor do que 800. Um protesto inteligente é uma forma de reconquistar a população. Falta o líder dizer o que fazer…
Vamos dar o exemplo da própria PM. Depois da confusão da sexta-feira passada, dia 21, quando um jornalista foi preso, os policiais se recolheram e mal apareceram no protesto seguinte. A função coube à GM na última segunda… quem esteve lá sabe disso.
O que é preciso fazer é sentar, esfriar a cabeça, analisar os erros e tentar aprender com eles. O confronto, a depredação, o tumulto não ajudam em nada. Uma derrota numa batalha, como ocorreu hoje, deve ser para mudar o tom, para se auto analisar.
Dar um murro em ponta de faca acontece. Esmurrá-la o tempo todo é idiotice.
Se a PM mudou a postura e deu um banho, será que os estudantes não são capazes de fazer o mesmo?
“Catraca”
Nos últimos dois protestos de estudantes que acompanhei – na quinta e na segunda-feira – esse cão esteve presente em todo o protesto…
Não sei se tem dono, mas o fato é que latiu para policiais militares, guardas municipais e esteve sempre à frente dos estudantes pela marcha nas ruas centrais de Florianópolis.
O “Catraca” como alguns o chamaram, chegou a ficar no meio da roda enquanto os manifestantes cantavam diante do terminal central.
Como sou um declarado e apaixonado amante de animais, deduzo que o “Catraca”, no alto de sua sabedoria e instinto, escolheu o lado correto na manifestação.
Opinião de crianças e de animais são coisas que não devem ser deixadas de lado.
Chamando “Catraca” ou qualquer outro nome, o cãozinho se tornou o mascote das manifestações de 2010.
A encenação
Segue um VTzinho sobre a manifestação realizada no centro de Floripa na noite desta segunda….
O cara dançando na moto, pouco se importando com o trânsito interrompido pelos estudantes, é impagável…
Tapa na cara
A Polícia Militar mal apareceu na manifestação realizada pelos estudantes nesta segunda-feira…
Vergonha do que ocorreu na sexta? Pode ser.
Deixou que a Guarda Municipal acompanhasse os garotos o que, na minha opinião, é ainda mais perigoso diante do despreparo de alguns.
A apresentação teatral diante do TICEN foi sensacional. Até jornalista “apanhou” na encenação. Não tinha um representante de sindicato de jornalistas ali, o que acho condenável.
A defesa e o repúdio ao ato da PM contra jornalistas da RBS coube, quem diria, aos estudantes.
Um tapa na cara. Uma lição.
E o protesto ocorreu na maior tranquilidade mesmo sem policiamento ostensivo, cães, cavalarias, tropa de choque e desfile de viaturas. A Mauro Ramos foi bloqueada por alguns minutos, depois o TICEN. Aí a PM apareceu e os jovens saíram. Sem confronto, sem discussão, sem exaltação…
E a prefeitura mais uma vez, sem nenhuma explicação…
Depois desta segunda-feira, que foi o ato mais tranquilo de todos, chego a uma triste conclusão: o que deixa os protestos tumultuados e tensos não são os manifestantes. É a polícia.
Ganhou o bom humor, ganhou a cidade.
Resta saber até quando os estudantes irão protestar e até quando a prefeitura irá silenciar…
Paz e Amor
Da outra vez critiquei o excesso de policiais militares na manifestação de estudantes que brigam contra o reajuste da tarifa.
Desta vez não haviam tantos… e ocorreram prisões.
Todas por “ofensas”, “xingamentos” e “desacato”… Não vi, realmente, xingamento nenhum na maioria delas.
Vi uma garota que pediu para ser presa. Deu não um, mas uns vinte “Pedala Robinho” no capacete do PM… Depois ainda saiu esperneando, gritando, pedindo por socorro e chegou a dizer que a mãe ficaria braba por ser presa. Fez aquilo por quê então?? Que ser humano iria gostar de ser fotografado e filmado servindo de pandeiro sem esboçar nenhuma reação? Ela pediu.
Em alguns momentos achei que a coisa fosse ficar feia. Foi por pouco.
Os estudantes que de outras vezes agiram na “paz e amor”, desta vez chegaram ao limite em alguns momentos. Quase fui atingido, com outros dois colegas de imprensa, por uma chuva de “bolinhas de gude”.
E antes que me critiquem: vi quem jogou. Não era “P2″…
Continuo achando a cavalaria um tremendo de um exagero. Uma provocação e intimidação desnecessárias.
Continuo achando o movimento dos estudantes ótimo e legítimo, embora hoje estivesse com menos integrantes e com algumas situações de risco. E também com provocações aqui e ali.
Vai continuar? Vai…mas precisa mudar alguns pontos. A PM se precavem com todo o aparato e provavelmente uma ponte, ou uma avenida Beira-mar nunca mais serão fechadas sem confronto.
E repito: ninguém ganha com isso.
Só acho que ações distintas, simbólicas, bem humoradas, podem chamar mais atenção do que apenas os protestos. Acorrentar-se no SETUF foi um dos atos mais interessantes do movimento até aqui.
Na porta da cada do prefeito pode ser uma boa. Uma greve de fome. A presença numa solenidade pública.
Tudo isso rende mídia e não parte para um confronto com policiais armados. Por mais que a PM estivesse totalmente “Paz e Amor” no protesto desta quinta-feira.
Os estudantes mostraram a cara, mostraram-se para o povo e disseram que não estão satisfeitos. A estratégia agora precisa mudar.
Precisam ganhar o povo. De vez…
Protesto
Moradores do Campeche fecharam a SC 405 por 40 minutos no finalzinho da tarde desta quarta-feira. Até uma retroescavadeira foi usada no protesto.
Segundo os locais, a culpa pelos alagamentos é do Governo de Santa Catarina e da Prefeitura de Florianópolis. Há dez anos eles sofrem com alagamentos e nesta madrugada, a água chegou a passar de meio metro em algumas das casas. Quem me contou isso foi Neusa Bilck, moradora do local e uma das líderes da manifestação. “Prefeitura empurra para governo e governo empurra para prefeitura”, contou. “Desde 2008 estão prometendo vir aqui e arrumar a nossa situação. Pagamos impostos e todas as casas estão legalizadas, mas ninguém aparece”.
A fila na SC 405 chegou a 3 kms próximo ao posto da Polícia Militar Rodoviária. No final da manhã de sábado está marcado outro manifesto.
R$ 2,95 é o …………….
Me pediram e estou colocando aqui neste espaço mais algumas fotos do protesto da última quinta-feira…
Será que esta semana tem mais? Torcemos para que sim e principalmente para alguém da Prefeitura Municipal enfim se manifeste.
Vou fazer um bolão para ver se acertamos o número de PMs destacados para “fazer a segurança” do protesto…
Quero ver se alguém precisar acionar a Polícia Militar no mesmo momento da manifestação.
Vai ter alguém para atender?
Mais uma vez….
Mais uma vez os estudantes foram às ruas protestar contra o aumento das tarifas de ônibus.
Mais uma vez, o povão vai pagar o aumento de salário de motoristas e arcar com a manutenção dos empregos dos cobradores para que o dinheiro não saia do bolso das empresas de transporte.
Mais uma vez, a PM exagerou na dose e deu até choque em guri recém saído das fraldas.
Mais uma vez, a prefeitura pouco se lixou para o povão.
Mais uma vez, mais uma vez…
A manifestação era pacífica, com música bom humor e etc e tal. O problema é que ao contrário de outros protestos, a desta sexta-feira não tinha lideranças comandando a situação. Lideranças de fato, digo. Por isso, a situação quase desgringolou quando estiveram frente a frente um protesto ladeira abaixo sem motorista e meia dúzia de policiais com armas de choque na mão.
Usando um jargão futebolístico, os estudantes estão cheios de disposição, mas nenhuma organização tática. Por isso, correram um risco imenso de que a situação fugisse do controle.
E A PM? Bem, a PM poderia deixar as pistolas de choque no quartel e conversar com alguma liderança dos estudantes…
Mas primeiro é preciso aparecer a tal liderança.
Por sua vez, os manifestantes prometem continuar com o barulho nos próximos dias. Que o façam como fizeram hoje: cantando e com irreverência, sem fechar pontes, sem violência e principalmente, sem sofrerem nenhuma “avaria” física.




























